Os motivos até agora inexplicáveis, um pouco cabíveis, mas sem muito benefício. Em busca da democracia, restabelecer a ordem democrática das Américas, plausível.
Mas são esses os reais motivos? A crise democrática que se instalou em Honduras, está dando o que falar nas Américas. O presidente deposto Manuel Zelaya estava com sede de poder, e queria ficar mais tempo no mesmo – exemplos de sanguinários por poder na América latina têm de sobra -, passou por cima da Corte Suprema e caiu de cara em Costa Rica.
A crise hondurenha teve uma sucessão de erros. A decisão de mudar a constituição, para que haja a possibilidade de reeleição em cima da hora, foi um atropelo à ética. A desobediência à Corte Suprema, um atestado de incompetência. A decisão extrema de expulsar Zelaya tanto do poder, quando do país, um absurdo total. Nenhum dos lados foi convicto e nem ético. Tudo não passou de um jogo de interesses muito mal planejado e torpe.
A diplomacia brasileira correu riscos, está correndo. Um ato heróico e admirável. O problema são as conseqüências indefinidas, que podem causar muita dor de cabeça. A defesa em prol da democracia nas Américas, feita por Lula, não deveria ser direcionada apenas contra a oposição que tomou o poder, mas para o próprio presidente que foi deposto, justamente pelas razões que levaram ao acontecimento.
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